16/05/2022

Mudança no imposto de importação gera negócios para operadores logísticos

 Mudança no imposto de importação gera negócios para operadores logísticos



Se existem dúvidas quanto aos efeitos da decisão do governo federal de reduzir ou até zerar a alíquota do Imposto de Importação de vários produtos sobre a inflação, o mesmo não ocorre para os negócios dos operadores logísticos que oferecem infraestrutura aos importadores. Logo após a divulgação da mudança e da lista de produtos beneficiados, ainda na quarta-feira (11), as consultas aos operadores logísticos já começaram.


A lista do governo vai de produtos de consumo, como carnes de boi e frango, biscoitos, farinha de trigo e milho em grão, a vários insumos da indústria em geral, como ácido sulfúrico e, talvez o item mais polêmico, alguns tipos de aço. A medida vale até 31 de dezembro deste ano e prevê renúncia fiscal de R$ 700 milhões.


Na Localfrio, que oferece serviços de alfandega, armazenagem e transporte de mercadorias, por exemplo, as consultas começaram já no dia seguinte ao anúncio das medidas. A empresa tem operações para atender os portos de Santos, Suape e Itajaí.


Segundo o presidente da companhia, Rodrigo Casado, clientes do setor de alimentos foram os que reagiram mais rapidamente à proposta de mudança tributária.


Sem citar nomes, Casado conta que no porto de Santos há consulta de um cliente que planeja dobrar o volume de farinha trazida do exterior. Outro, que atua no segmento de carnes, prevê elevar em 30% a 40% o movimento de contêineres pelo porto paulista.


Nos portos de Itajaí e Suape, os negócios da empresa estão mais voltados à importação de ligas metálicas. E nesse caso as negociações estão mais embrionárias. Como parte dessas ligas tem como origem a China, os clientes estão esperando uma definição das medidas de restrição adotadas pelo país no combate à pandemia de covid-19 para saber quando e em quanto poderão ampliar as importações.


A diretora executiva da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol), Marcella Cunha, avalia que a medida do governo tem um efeito indireto sobre o setor na medida que seus clientes são beneficiados. Segundo os últimos dados oficiais da Abol, de 2020, o setor é formado por 275 empresas com receita operacional bruta de R$ 100,8 bilhões anuais. Entre empregos diretos e indiretos, a associação estima que são 1,5 milhão de postos de trabalho. Os números referentes a 2021 serão divulgados no início de junho.


Mas a dirigente pondera que, apesar dos efeitos positivos que a proposta do governo possa ter para o setor, as empresas também começaram a semana com uma péssima notícia: o novo reajuste de 8,87% no diesel. Junto com a guerra na Ucrânia e o “lockdown” na China, a alta do combustível acentua um cenário de incertezas que vem desde o início da pandemia em 2020 e não dá sinais de melhora neste ano.


“O custo com combustível, em particular o óleo diesel, para muitas empresas dos setores de transporte e logística, apresenta impacto de 35% a 40% no valor do frete. Em rotas mais longas, o diesel pode representar até 60% do custo do frete”, afirma a presidente da Abol. A expectativa agora é se a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai reajustar o piso mínimo do frete rodoviário.


Fonte: Valor Econômico



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