Pode nos contar um pouco sobre a sua trajetória profissional?
Iniciei minha carreira como trainee em um banco de investimento em SP. Depois de 4 anos no banco retornei a BH e já ingressei no segmento de logística e Supply Chain. No grupo Tora estou há 22 anos, trabalhando inicialmente nas áreas financeira e de controladoria, depois migrei para a área comercial até chegar à posição que estou hoje de CEO.
Você, como mulher nesse setor, enfrentou algum tipo de preconceito ou teve alguma dificuldade no início da carreira e como superou?
Em um ambiente extremamente masculino como o da logística, o comportamento e posicionamento das mulheres são fatores fundamentais para que estas conquistem respeito e credibilidade. O conhecimento técnico, a busca constante por aprimoramento, desenvolvimento pessoal e ainda o entendimento mais amplo da conjuntura da empresa, do setor e do país me ajudaram a conquistar posições. Ter um bom relacionamento com todos os stakeholders também é primordial.
Quais os principais desafios que as mulheres encontram hoje ao iniciar a carreira na logística?
As mulheres enfrentam desafios como preconceitos associados a funções logísticas, baixa representatividade em áreas técnicas e operacionais, e barreiras culturais, como a percepção de que certas atividades são inadequadas para elas. A estrutura em postos de gasolina, lugar muito utilizado pelos caminhões para pernoite e banho, principalmente nas regiões norte e nordeste, não oferecem condições adequadas para o público feminino. Além disso, a conciliação da vida pessoal e profissional e a falta de políticas inclusivas ainda são obstáculos em muitas empresas.
Qual o atual cenário da presença/liderança feminina no setor logístico e na Tora? Você enxerga uma maior representatividade nos últimos anos?
Já estou no setor há mais de duas décadas e posso afirmar que houve avanços significativos. Em termos mundiais, as mulheres representam 20% da força de trabalho no setor de logística. Na Tora, temos 21% das posições ocupada por mulheres. Mas o que mais me orgulha são os 28% de mulheres na liderança da empresa. São números que exemplificam e mostram progresso, mas o potencial para crescer ainda é enorme, e acho que estamos no caminho certo.
A Tora desenvolve projetos para ampliação da presença feminina no setor?
O Grupo Tora tem o compromisso com o desenvolvimento social e a justiça por meio de iniciativas voltadas à Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), garantindo espaço e valorização para as mulheres em todas as ações. Entre os projetos, destacam-se o Programa +Diversidade, realização de campanhas internas com temas voltados a mulheres, além de programas direcionados a Aprendizes. Essas iniciativas promovem inclusão e fortalecem a cultura organizacional, combatendo preconceitos e incentivando comportamentos inclusivos.
No seu ponto de vista, o que o setor tem a ganhar ao investir em um maior protagonismo feminino?
O protagonismo feminino traz inovação, contraponto, equilíbrio, melhora o ambiente de trabalho, amplia a diversidade de ideias e reforça a capacidade de adaptação do setor logístico. Empresas que apostam na inclusão têm equipes mais criativas, produtivas e resilientes, o que certamente propiciará resultados operacionais e financeiros mais sólidos. Diversidade é um diferencial competitivo.