08/02/2024

Observações sobre o mundo e a logística neste ano de 2024

 Observações sobre o mundo e a logística neste ano de 2024



Paulo Roberto Guedes - conselheiro consultivo da ABOL


Não bastassem os problemas mundiais dos últimos anos, incluindo-se a pandemia, a crise climática, a rápida deterioração do meio-ambiente, os conflitos militares na Ucrânia e no Oriente Médio, e outros que “se armam” (Taiwan e China, Coréia do Norte, Canal de Suez etc.), está claro que atualmente o mundo vive um de seus piores momentos. Contesta-se, até mesmo, os valores democráticos e a própria Democracia.


Isto me faz acreditar que os maiores riscos para toda a sociedade mundial, para este e os próximos anos, terão origem nos aspectos geopolíticos. Inevitavelmente, de forma negativa, o comércio mundial será afetado e as cadeias de suprimentos e/ou distribuição terão seus funcionamentos prejudicados. Ponto de atenção para todos e em especial para os profissionais de logística.


O Brasil, sem dúvida, sofrerá os impactos que lhe correspondem e ainda terá que lidar com seus próprios problemas, inclusive o fato de que neste ano haverá eleições.


Entretanto, e apesar de tudo, o País já se apresenta como um lugar confiável e de oportunidades. A estabilidade política e a independência dos poderes estabelecidos, a manutenção do Estado Democrático de Direito, a própria independência do Banco Central, as reformas da Previdência e Tributária,  políticas claras de combate ao desmatamento e de proteção ao meio-ambiente, a melhoria de desempenho de alguns dos principais índices econômicos (crescimento do PIB, aumento do consumo, controle da inflação e queda de juros), e ambiente de maior previsibilidade, incluindo-se aqui, os programas para retomada do desenvolvimento do setor industrial e outros que buscam manter os demais setores da economia em evolução e crescimento, são fatos que ajudam ainda mais a imagem do Brasil.


A se considerar, inclusive, os investimentos previstos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que, além de tudo, contempla cinco rotas específicas para melhoria do processo de integração regional latino-americano: a) Rota da Ilha das Guianas (Amapá, Roraima, Pará); b) Rota Multimodal Manta-Manaus (Roraima, Pará, Amapá); c) Rota Quadrante Rondon (Acre, Rondônia, Mato Grosso); d) Rota Capricórnio (Corredor Bioceânico de Capricórnio); e) Rota Porto Alegre-Coquimbo (Rio Grande do Sul). 


Vale ressaltar que o Corredor Bioceânico de Capricórnio, que possibilita a realização do transporte internacional entre a América do Sul e os países da Ásia via Oceano Pacífico, evita que se utilizem os trajetos via sul da África ou Canal do Panamá. Lembrete: 50% das exportações brasileiras já são direcionadas para a Ásia, em especial a China.


Sem dúvida, providências que deverão aumentar a abrangência e melhorar o funcionamento e o processo de integração do Mercosul, possibilitando que regiões, razoavelmente isoladas do comércio internacional, sejam incorporadas ao mercado. Vale lembrar, aumentando o protagonismo brasileiro junto aos países latino-americanos.


Especificamente com relação ao meio-ambiente e à sustentabilidade, é importante ressaltar que o Brasil, talvez um dos poucos do mundo, além de produzir energia renovável em quantidades maiores do que sua necessidade, ainda poderá, segundo os especialistas, ter um adicional equivalente a duas ou três vezes aquilo que exige o consumo interno atual, assim que forem concretizados os projetos eólicos e solares em andamento. O País poderá, sem dúvida, bem antes do ano 2050, alcançar a meta estabelecida pelo Acordo de Paris, de “zerar” suas emissões de CO². 


Não à toa o Brasil, que já retomou sua posição entre as dez maiores economias do mundo, melhorou suas classificações de crédito junto à S&P e Fitch, e é o quinto maior recebedor de investimentos estrangeiros diretos, ficando atrás, segundo dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento – UNCTAD), somente dos Estados Unidos, China, Singapura e Hong Kong. Não é pouco.


Mais particularmente, quando se discutem assuntos relativos à logística, além de se constatar a necessidade de maiores investimento, seja para a expansão ou a melhoria da infraestrutura ou para fazer frente aos problemas climáticos, outro assunto relevante, mas sem ‘modismos’, é quanto ao uso de tecnologias envolvendo inteligência artificial. Veículos autônomos, veículos elétricos com maior eficiência e autonomia, robôs de entregas ou que realizam a transferência automática de cargas para outros veículos, linhas de produção ou armazéns, inclusão de diversos tipos de sensores, tanto para a captação de dados operacionais em tempo real como para maior e mais rápida identificação de problemas operacionais que se apresentam, bem como a consequente ativação de providências pertinentes, são apenas alguns exemplos. A complexidade da logística, de fato, aumentou.


Mas essa complexidade não se limita aos problemas tecnológicos ou relacionados à movimentação de mercadorias propriamente dita (otimização de cargas e/ou equipamentos, identificação de possíveis sinergias etc.), mas também aos problemas derivados da falta de visibilidade e de informações mais fidedignas e em tempo real, bem como de sistemas de comunicação que permitam uma administração em tempo real. Se antes o objetivo era apenas obter a localização das mercadorias em movimento (rastreabilidade exigida pelos consumidores ou pelas seguradoras), agora, além de se buscar dados e  informações em uma quantidade muito maior de fontes, é preciso incorporar, também de forma rápida e ágil, muito mais conhecimento, único meio para que se consiga maior visibilidade e controle das operações e dos negócios. 


É fato que a tomada de decisões, operacionais e estratégicas, somente se dará da forma rápida, correta e mais bem adaptada ao momento e às exigências e necessidades dos “stackholders”, quando for possível melhorar os níveis de conhecimento, caminho para que se aumente a compreensão deste mundo cheio de incertezas. É o jeito de se construir cenários futuros mais realistas e possíveis. 



Notícias Relacionadas

13/01/2026

A DHL Global Forwarding e o grupo CMA CGM firmaram uma parceria para ampliar o uso de biocombustíveis no transporte marítimo de contêineres, como parte das estratégias das duas companhia (...)

Leia mais
 Programa Mulheres na Direção da JSL abre inscrições para formação de motoristas em Indaiatuba (SP)

12/01/2026

Programa Mulheres na Direção da JSL abre inscrições para formação de motoristas em Indaiatuba (SP)

A JSL abriu inscrições para a 17ª edição do Programa Mulheres na Direção, iniciativa voltada à capacitação e inserção de mulheres no setor de transporte rodoviário e logística. Nesta edi (...)

Leia mais
 Porto de Santos recebe novos guindastes elétricos e avança na modernização de terminal

12/01/2026

Porto de Santos recebe novos guindastes elétricos e avança na modernização de terminal

O Tecon Santos recebeu neste sábado (10) dois novos portêineres e oito RTGs elétricos. Os equipamentos foram adquiridos pela Santos Brasil dentro do projeto de ampliação, modernização e (...)

Leia mais

© 2026 ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos. CNPJ 17.298.060/0001-35

Desenvolvido por: KBR TEC

|

Comunicação: Conteúdo Empresarial

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.