03/09/2020

"Setor portuário e pandemia: a essencialidade das atividades dos portos"

 "Setor portuário e pandemia: a essencialidade das atividades dos portos"



Enquadrado como serviço essencial pela Medida Provisória 945/2020, o sistema portuário brasileiro não parou durante a pandemia do novo Coronavírus. Os portos continuaram funcionando, seguindo todas as normas de segurança para proteger os trabalhadores e a sociedade. As medidas foram essenciais para tentar conter o avanço da doença - já que, sabidamente, os portos são portas de entrada e saída importantes em diversas regiões do país - e, ainda, fazer com que a crise fosse sentida em menor escala.

Os resultados desses esforços foram bastante positivos e os números cresceram em todo o Brasil, apesar da crise. No Espírito Santo, por exemplo, o Porto de Vitória apresentou 23,3% de aumento no mês de junho, isso em relação ao mesmo período de 2019. Como era de se esperar, diante dos dados positivos do setor, foi reacendido um debate sobre a importância dos portos para a economia brasileira. De fato, o sistema portuário desempenha um papel crucial para o desenvolvimento econômico e, por isso, convém dizer que essa temática não deveria ter deixado de ser pauta em algum momento passado.

Mas, além disso, é preciso analisar os benefícios para as comunidades. Tomando, mais uma vez, o Porto de Vitória como base de comparação, é nítida sua interferência na vida da cidade, sua importância para a história da capital e, é claro, os impactos econômicos. E mais, os impactos positivos são visíveis não apenas para a cidade de Vitória, mas também para Vila Velha, que também está intimamente ligada às atividades portuárias, e outros municípios que, embora possuam uma relação menos próxima, também foram moldados social e culturalmente pelo porto.

O que quero dizer é que, embora o debate sobre a importância das atividades portuárias tenha sido reaberto pelos bons resultados alcançados em meio à crise, a essencialidade dos portos sempre existiu, economicamente, socialmente e culturalmente. A diferença mais visível, agora, é que a ideia de que tudo aquilo que recebemos em nossas casas é advindo dos portos e de operações complexas ali realizadas.

Apesar disso, se engana quem pensa que diante desse crescimento do setor não haja desafios. As empresas devem, mais do que nunca, operar com o objetivo de reduzir possíveis perdas e zelar pela saúde de seus colaboradores e dos trabalhadores portuários avulsos. Vivenciamos uma situação em que é preciso repensar cada processo futuro e analisar cada passo já dado.

Estamos lidando com uma imprevisibilidade jamais vista. Atrasos e ou suspensões das atividades são possibilidades que precisam ser consideradas e encaradas. Diante disso, é fundamental prever e analisar as melhores formas de gerenciamento de quaisquer situações adversas. A gestão de risco deve ser revista e adaptada. O que resta ao setor portuário - e à toda a sociedade, que vem se reinventando para lidar com este “novo normal” - é enxergar tudo isso como aprendizado.

Roberto Garófalo é advogado, diretor executivo da Poseidon Marítima Ltda. e presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do Espírito Santo – Sindiopes

Fonte: Portos e Navios

Notícias Relacionadas
 O cenário do transporte rodoviário de cargas no Brasil em novo panorama de transportes

26/06/2026

O cenário do transporte rodoviário de cargas no Brasil em novo panorama de transportes

O transporte rodoviário de cargas continua sendo o principal pilar da logística brasileira, respondendo por 68,5% da movimentação de mercadorias em Tonelada-Quilômetro (TKU) e por 84,3% (...)

Leia mais
 Brado Logística avança na descarbonização do transporte rodoviário com uso de GNL no Maranhão

26/06/2026

Brado Logística avança na descarbonização do transporte rodoviário com uso de GNL no Maranhão

Em meio ao avanço da agenda ESG no setor logístico, alternativas energéticas de menor impacto ambiental vêm ganhando espaço no transporte de cargas brasileiro. Nesse cenário, a Brado Log (...)

Leia mais
 Operadores logísticos defendem ajustes nas operações durante a Copa do Mundo, revela ABOL

24/06/2026

Operadores logísticos defendem ajustes nas operações durante a Copa do Mundo, revela ABOL

Megaeventos globais influenciam diretamente a programação dos operadores logísticos no Brasil e a Copa do Mundo é um exemplo claro desse impacto. É o que revela uma pesquisa da Associaçã (...)

Leia mais

© 2026 ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos. CNPJ 17.298.060/0001-35

Desenvolvido por: KBR TEC

|

Comunicação: Conteúdo Empresarial

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.