13/05/2025

Um mês após tarifaço, venda de produtos chineses para o Brasil salta até 40%

 Um mês após tarifaço, venda de produtos chineses para o Brasil salta até 40%



Os cerca de 30 dias de guerra tarifária entre os Estados Unidos e a China, agora arrefecida pelo acordo entre as duas potências globais anunciado ontem, causaram impactos no mercado brasileiro também no aumento de remessas asiáticas desembarcando no país.


Empresas de logística e importadores contam ter notado crescimento no volume de envios da China no período, com ofertas mais atraentes e vendedores chineses mais interessados no mercado brasileiro.


Na Anjun Express, transportadora chinesa que atende desde pequenos vendedores até as gigantes do do comércio eletrônico Shein e Temu, o volume de remessas aumentou de 17% a 20% em abril, na comparação com março, quando as vendas costumam começar a diminuir depois do pico de pedidos entre janeiro e fevereiro.


Em algumas categorias de produtos, o crescimento foi ainda maior: o transporte de eletrônicos chineses feito pela empresa ao Brasil saltou 40% no período.


Em julho do ano passado, a Anjun inaugurou um centro logístico na região de Guarulhos, na Grande São Paulo, o que aumentou a capacidade de triagem diária das remessas em 250%, de 200 mil para 700 mil unidades. Por isso, é difícil comparar o aumento de entregas com o mesmo período do ano passado, argumenta o vice-presidente Andy Lu.


— Acredito numa influência direta do tarifaço. Muitas empresas que antes eram dedicadas aos EUA estão olhando para a América Latina, inclusive com promoções. Veem no Brasil uma oportunidade comercial muito grande — diz o vice-presidente da Anjun.


Líder do braço Internacional da Total Express, Thiago Brito diz que a transportadora não registrou aumentos substanciais nas operações China-Brasil no período, mas que novos clientes procuraram a empresa “de olho” no mercado brasileiro.


Novos contatos


Esses contatos, ele conta, vão desde operadores logísticos asiáticos que precisam de parceiros brasileiros para a liberação aduaneira e distribuição das mercadorias aos consumidores quanto vendedores e fabricantes chineses interessados na operação desde a China até o destino final no Brasil.


— Tive uma reunião com um operador logístico chinês que atua no mundo inteiro, mas no Brasil ainda sem muita expressão, e ele contou que desde o dia 2 (de abril) estava sentado na cadeira sem ter como trabalhar — lembra Brito. — Se você tem um volume tão grande de pacotes e precisa redirecionar, o mercado latino-americano é um chamariz enorme, e o Brasil acaba sendo a “menina dos olhos”.


Dados do painel de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria. Comércio e Serviços (Mdic) mostram que o volume de importações da China subiu 28,1% nos primeiros quatro meses de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em abril, o aumento foi de 7,6%, abaixo dos 9,4% registrados em março.


Michel Platini, presidente da Associação Brasileira de Importadores (Ambimp), afirma que ainda não houve uma “escalada” das importações chinesas, mas que o setor tem notado um aumento nas remessas, no que considera um “movimento natural diante das incertezas”.


Ele diz ainda, sem abrir nomes, ter recebido relatos de fornecedores chineses melhorando ofertas para atrair consumidores brasileiros:


— Em regra, hoje você paga 30% de entrada e o restante no embarque. Os preços estão melhores, as ofertas estão com prazo mais alongados.


Melhores ofertas não atingem apenas grandes importadores, mas também consumidores finais, como analisa Bruno Porto, sócio líder de Mercados Internacionais da consultoria PwC:


— Vai além de preços mais atraentes, mas até as estratégias de “gamificação” das plataformas de marketplace são uma aposta para melhorar as ofertas e ampliar mercado. E tudo isso tem se intensificado.


Fonte: Valor Econômico



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