27/09/2022

Guerra evidenciou que país precisa aumentar produção de óleo diesel e GLP, diz ANP

 Guerra evidenciou que país precisa aumentar produção de óleo diesel e GLP, diz ANP



Superintendente de distribuição e logística da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Rubens Cerqueira Freitas disse nessa segunda-feira (26) que o país precisa atrair investimentos em produção de óleo diesel S-10 e de gás liquefeito de petróleo (GLP). São combustíveis cuja produção nacional não atende a toda a demanda e requerem importação.


Segundo ele, que participa de painel no primeiro dia da Rio Oil & Gas, o país é o quarto maior consumidor de combustíveis no mundo, e um dos desafios é chegar à autossuficiência nesses derivados, especialmente num cenário de guerra. O conflito entre Rússia e Ucrânia evidenciou a dependência dos países de combustíveis importados.


A importação de diesel corresponde a aproximadamente um terço da demanda nacional, destacou Freitas. Ele observou que a ANP tem uma agenda regulatória que prevê regulamentação de itens como a importação de biodiesel para complementar a oferta nacional.


Brasil requer estoques compatíveis com seu PIB, diz superintendente


O Brasil precisa ter estoques de combustíveis de porte compatível ao de países com Produto Interno Bruto (PIB) e demanda semelhantes, disse Cerqueira Freitas. Ele destacou que a Europa possui estoques para atender à demanda de 60 dias, e que o Brasil não tem capacidade para atender em situações como a atual.


Freitas salientou que até há algum tempo a Petrobras conseguia remanejar a produção de diesel de regiões diferentes para atender a eventuais riscos regionais de desabastecimento, mas que esse caminho será mais difícil com a política de desinvestimentos da estatal.


O superintendente da ANP ponderou ainda que a formação de estoques requer cuidado. Observou, contudo, que os investimentos são necessários dados os riscos de novos episódios de desabastecimento.


Freitas afirmou que o país conseguiu passar pela crise causada pela guerra na Ucrânia, mas um bloqueio eventual de suprimento de diesel no mercado externo seria um problema grave. A falta de diesel, que é altamente demandado pelo agronegócio, por exemplo, traria prejuízos incalculáveis para a economia brasileira.


Monitoramento diário de estoques deve começar em novembro


O monitoramento diário dos estoques de combustíveis deve começar no início de novembro, disse Cerqueira Freitas. A medida ainda está em fase de ajustes e visa acompanhar o atendimento dos combustíveis, especialmente de óleo diesel, diante da demanda crescente e de uma oferta cada vez mais apertada por causa da guerra na Ucrânia.


Atualmente, o Brasil conta com uma mesa de monitoramento criada pelo governo e que reúne os principais agentes do mercado de combustíveis para tentar antecipar eventuais déficits de fornecimento. Esse monitoramento deve ter como base a fixação de uma meta de estoque mínimo de combustíveis para atendimento ao mercado com segurança.


Na avaliação de Valéria Lima, diretora de downstream do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), mais importante do que estabelecer a meta ou fazer o monitoramento diário, é saber qual será o uso que será feito dessa informação.


Isso porque, no atual contexto, a construção de novas refinarias de petróleo requer altos investimentos com prazo longo de retorno, o que se torna mais difícil diante de uma "janela curta" de transição energética, com entrada de combustíveis renováveis no mercado.


Ela destacou a chegada de biorrefinarias, para processamento de combustíveis verdes, o que requer um acompanhamento de como a oferta complementará a demanda interna. Salientou ainda que a meta de autossuficiência não se sustenta com o crescimento esperado da adoção de combustíveis verdes, sendo mais viável buscar conciliar atendimento com a oferta interna e a importação.


Fonte: Valor Econômico



Notícias Relacionadas
 Brado aposta no gás para ampliar a descarbonização do transporte além dos trilhos

13/07/2026

Brado aposta no gás para ampliar a descarbonização do transporte além dos trilhos

A Brado Logística começou a testar um novo modelo para reduzir as emissões do transporte rodoviário de cargas: em vez de substituir uma frota própria, a empresa busca criar condições eco (...)

Leia mais
 CNT apresenta estudo inédito com propostas para destravar as hidrovias

06/07/2026

CNT apresenta estudo inédito com propostas para destravar as hidrovias

Como aproveitar um dos maiores potenciais hidroviários do mundo para tornar o transporte brasileiro mais eficiente, competitivo e sustentável? Essa foi a questão que norteou o estudo iné (...)

Leia mais
 Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de produtos chineses, aponta DHL

03/07/2026

Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de produtos chineses, aponta DHL

A demanda por compras internacionais segue em alta no Brasil. De acordo com dados do DHL E-Commerce Trends Report 2026, produzido pela empresa de logística DHL com base nas respostas de (...)

Leia mais

© 2026 ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos. CNPJ 17.298.060/0001-35

Desenvolvido por: KBR TEC

|

Comunicação: Conteúdo Empresarial

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.