22/04/2026

Wilson Sons testa biocombustível da Be8 em rebocadores no Porto do Açu

 Wilson Sons testa biocombustível da Be8 em rebocadores no Porto do Açu



A Wilson Sons iniciou um teste com biocombustível em rebocadores, no terminal de embarque de minério de ferro da Ferroport, no Porto do Açu, em São João da Barra. A iniciativa, voltada à descarbonização das operações, utilizou o Be8 BeVant, desenvolvido pela Be8, no rebocador WS Rosalvo, com expectativa de reduzir em até 99% as emissões de dióxido de carbono (CO2) em comparação ao óleo diesel marítimo.


Durante os testes, serão realizadas análises de desempenho, durabilidade e emissões, utilizando a telemetria do WS Rosalvo para elaborar o relatório com as conclusões do projeto, que será submetido a uma certificação internacional.  


O gerente de Sustentabilidade da Ferroport, Edenilson Sanches, apontou a importância da iniciativa. “Este projeto apresenta potencial para reduzir as emissões indiretas do porto como um todo, contribuindo também para a diminuição das emissões indiretas da Anglo American, a partir da redução das emissões diretas da Wilson Sons, representando um esforço conjunto de toda a comunidade portuária para a implementação de operações mais eficientes do ponto de vista energético e com menor intensidade de carbono”, afirmou.


Na visão do diretor-executivo de Rebocadores da Wilson Sons, Márcio Castro, os testes com o novo biocombustível reforçam a importância das parcerias estratégicas, reafirmando o compromisso da Wilson Sons com a descarbonização. “Estamos sempre em busca de novas tecnologias que contribuem com a segurança, eficiência e sustentabilidade do setor portuário”, destacou.


Em 2025, a Wilson Sons e a Vast também realizaram os primeiros testes de uso de HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) no setor marítimo brasileiro. O HVO, conhecido como diesel renovável ou diesel verde, foi utilizado nos rebocadores da Wilson Sons, que operam no Porto do Açu, em substituição ao óleo diesel marítimo.  


BIOCOMBUSTÍVEL DA BE8


Produzido na planta da Be8 em Passo Fundo (RS), a partir de óleo de soja, gordura animal e óleo de cozinha usado (UCO), o Be8 BeVant é um biodiesel "drop-in". Dessa forma, é utilizado diretamente no motor da embarcação, sem a necessidade de alterar a a estrutura.


“Estamos falando de um biocombustível desenvolvido e produzido no Brasil, que entrega performance técnica similar ao combustível convencional e, ao mesmo tempo, gera um impacto ambiental transformador, sem custos de investimento de transição de equipamentos”, disse o presidente da Be8, Erasmo Carlos Battistella.  


Segundo reportagem publicada pela MundoLogística, a Be8 levou aproximadamente três anos para desenvolver o Be8 BeVant®. O diretor de Transição Energética da companhia, Camilo Adas, apontou que foram dois anos de desenvolvimento químico e mais um ano de testes em banco de prova, em parceria com empresas como a Mahle.


“A nossa ideia era simples: se vamos criar um produto para uso 100% puro, sem mistura, que ele seja o melhor possível para isso. Queríamos um produto ideal, que pudesse ser usado diretamente no motor sem alterar absolutamente nada na cadeia de infraestrutura”, explicou o executivo.


Assim, o processo incluiu diversos ciclos de testes, reformulações e trabalho conjunto com parceiros estratégicos para garantir qualidade, eficiência energética e viabilidade regulatória. Mesmo com as vantagens, o desafio para popularizar biocombustíveis no Brasil ainda é significativo. Para Adas, o principal obstáculo é cultural e histórico.


“O senso comum ainda é fóssil. Quando Henry Ford começou a produzir seus veículos, ele usava etanol de milho. O próprio Rudolf Diesel apresentou seu motor movido a óleo de amendoim. Mas a força geopolítica do petróleo se impôs, moldando um sistema que dominou o mundo por mais de um século”, completou o executivo.


Fonte: Mundo Logística | Foto: Divulgação/Vast Infraestrutura



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