13/02/2026

Logística refrigerada impõe desafios

 Logística refrigerada impõe desafios



Com uma capacidade frigorífica de mais de 18 milhões de m3, segundo dados da Global Cold Chain Alliance, o Brasil figura entre os 20 maiores mercados de armazenagem refrigerada do mundo. Projeções da consultoria Mordor Intelligence indicam que esse setor deve alcançar um valor de mercado de US$ 6,92 bilhões em 2029. Embora o país seja referência, não há como negar que a cadeia fria veicular representa um dos pilares mais complexos e estratégicos da logística moderna, uma vez que envolve produtos sensíveis à temperatura, cuja integridade depende diretamente do controle térmico durante todas as etapas do processo logístico.


A chamada cadeia fria envolve armazenamento, transporte e distribuição com temperatura controlada. “O nível de exigências é grande, uma vez que os ativos (veículos refrigerados) e os passivos (embalagens térmicas) têm especificidades próprias de manuseio”, diz Marcella Cunha, diretora executiva da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol). “Na prática, os desafios dos operadores se desdobram em processos específicos e tecnologia de controle; qualificação térmica de áreas e rotas; sensores e data loggers, alarmes, rastreabilidade, além de respeito às regras de calibragem e registros e monitoramento ambiental”.


Carlos Buran, CEO da Temp Log, empresa especializada em armazenagem, fracionamento e transporte para a indústria farmacêutica e odontológica, reforça que a logística fria exige que a cadeia seja validada de ponta a ponta, com obediência às normas da Anvisa, mão de obra bem-treinada e alto investimento em tecnologia. Atuação requer seguir normas da Anvisa, ter mão de obra bem-treinada e investir alto em tecnologia, diz Carlos Buran.


“Quando falamos da indústria, o nível de qualidade é alto, quando chega nos distribuidores, nem tanto”, afirma. “A carga fria, dependendo da embalagem, aguenta entre 72 horas e 96 horas. Na média, entregamos cerca de 1.200 volumes por mês entre 36 horas e 48 horas nas capitais.” Com 54 clientes em carteira, a operadora logística atua em mais de 2.500 municípios. “Há muito para crescer, porque temos mais agilidade que os gigantes no armazenamento e entrega de fracionados, sobretudo na última milha”, diz o executivo.


De acordo com o estudo “Perfil dos Operadores Logísticos 2024”, cerca de 1.300 empresas operam no segmento no país. Dessas, 27% transportam cargas “frigorífico-câmara fria” e 28% oferecem armazenagem frigorífica. Ainda segundo o levantamento, 64% das empresas estão ampliando o portfólio de serviços. Estima-se que o setor movimente cerca de R$ 200 bilhões por ano, com forte penetração no segmento de bebidas (72%), alimentos processados (64%) e indústria farmacêutica (53%).


Especialistas destacam que a tecnologia vem transformando o setor, principalmente porque aumenta a visibilidade e a capacidade de reação rápida quando há risco de desvio de temperatura. “Além do monitoramento clássico, a cadeia fria tem incorporado tecnologias que ampliam controle e previsibilidade e adotado sensores conectados. Além disso, as plataformas digitais estão evoluindo para leitura contínua ao longo do trajeto e para análises que ajudam a minimizar riscos com base em histórico, rotas e condições operacionais”, diz a diretora da Abol.


Criada em 2016 para atender as entregas de última milha da própria Liv Up, especializada em comida saudável congelada, a divisão de logística vem sendo procurada para prestar o serviço de entregas refrigeradas para terceiros. “Somos especializados e estamos estudando a abertura”, diz Henrique Castellani, cofundador e COO da Liv Up. “Hoje a divisão armazena, separa e faz
entrega na última milha de 500 toneladas de alimentos/mês, o equivalente a 2 milhões de refeições”.


Segundo Castellani, há mais de 30 parceiros logísticos plugados na plataforma, com veículos refrigerados e motos com caixas térmicas, treinados pela Liv Up para atender as 28 operações espalhadas pelo Brasil, mais de mil pontos de venda e cerca de mil foodservices. “Nosso objetivo é terminar 2026 com 60 operações, o que elevará o faturamento dos R$ 270 milhões, em 2025, para R$ 450 milhões neste ano”.


Fonte: Valor Econômico



Notícias Relacionadas
 Setor aquaviário brasileiro movimentou, em 2025, 1,4 bi de toneladas

11/02/2026

Setor aquaviário brasileiro movimentou, em 2025, 1,4 bi de toneladas

Dados do ano passado estão consolidados no Painel Estatístico da ANTAQOs dados estatísticos que a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) apresenta para o (...)

Leia mais
 ABOL apresenta prioridades logísticas para 2026

10/02/2026

ABOL apresenta prioridades logísticas para 2026

O primeiro grande evento presencial da Associação Brasileira dos Operadores Logísticos - ABOL já tem data para acontecer. No dia 12 de fevereiro, em São Paulo, alguns dos principais nome (...)

Leia mais
 Marcella Cunha avalia 2025 e fala sobre as perspectivas para o próximo ano

10/02/2026

Marcella Cunha avalia 2025 e fala sobre as perspectivas para o próximo ano

2025 foi um ano de muito trabalho e de resultados expressivos para a ABOL. Pode listar um pouco do que foi desenvolvido por cada diretoria?Com certeza foi um (...)

Leia mais

© 2026 ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos. CNPJ 17.298.060/0001-35

Desenvolvido por: KBR TEC

|

Comunicação: Conteúdo Empresarial

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.