A FedEx ampliou a operação de transporte rodoviário internacional na América do Sul com a inclusão de uma rota entre Brasil e Paraguai. O serviço, denominado South America Road Network (SARN), já conectava o Brasil à Argentina, Chile e Uruguai.
Segundo a empresa, o SARN oferece transporte porta a porta, saídas regulares e integração com a rede logística da FedEx no Brasil. A operação utiliza frota própria habilitada para transporte internacional e está conectada a hubs localizados em São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS).
As rotas são integradas às unidades da companhia no Brasil e operam com embarques de importação e exportação. Os veículos são monitorados em tempo real durante o transporte.
Segundo a companhia, o tempo de trânsito varia entre quatro e 17 dias, conforme a origem e o destino, sem considerar o desembaraço aduaneiro. A operação possui mais de 120 funcionários, equipe comercial dedicada e uma frota de 200 veículos, entre caminhões e semirreboques.
De acordo com a diretora de Vendas para o Serviço Internacional da FedEx no Brasil, Glaucia Megna, a nova rota faz parte da estratégia de ampliar a conectividade entre os países da América do Sul.
“Além disso, o SARN possui forte sinergia com o nosso serviço expresso internacional, atuando como uma opção complementar para clientes que buscam alternativas mais econômicas para envios destinados aos países do bloco”, afirmou.
SAÍDA DO MERCADO DOMÉSTICO
A ampliação da malha rodoviária internacional reforça o reposicionamento estratégico anunciado pela FedEx no início de 2026, quando a companhia comunicou o encerramento de suas operações de transporte doméstico no Brasil. As coletas nacionais foram mantidas até 6 de fevereiro de 2026, e a desmobilização das estruturas internas se estendeu até junho, enquanto a empresa passou a concentrar esforços no transporte internacional — aéreo e rodoviário — e em serviços de Supply Chain.
Presente no país desde 1989, a FedEx justificou a decisão como parte de seus esforços para fortalecer a rede global e responder às dinâmicas do mercado.
A saída do segmento doméstico reacendeu o debate sobre os gargalos estruturais da logística brasileira. Em artigo de opinião publicado pela MundoLogística, o diretor-presidente da Tigerlog, Marco Antonio Neves, avaliou que a “retirada voluntária” de grandes operadores do transporte de cargas doméstico “evidencia que a logística no Brasil deixou de ser uma questão de competência operacional para se tornar uma luta de sobrevivência contra margens asfixiantes”. Para ele, o problema está em um ecossistema hostil que combina infraestrutura defasada e carga tributária complexa.
O especialista também apontou o peso do e-commerce. “A exigência por fretes cada vez mais baratos e prazos de entrega cada vez menores pulverizou as margens de lucro”, disse.
Fonte: Mundologística