28/02/2023

Modal marítimo segue como melhor opção para economizar no transporte de produtos

 Modal marítimo segue como melhor opção para economizar no transporte de produtos



Entre os obstáculos da indústria brasileira, a logística sempre é apontada como um dos principais custos. De acordo com a pesquisa "Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras", divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em novembro de 2022, o custo do transporte internacional e o custo do transporte doméstico estão entre os principais desafios enfrentados.


Por 40 anos, o grupo Gemü, fornecedor de válvulas e sistemas de medição e controle, usou quase exclusivamente o transporte aéreo no Brasil. Porém, com o aumento do preço das tarifas, somado a custos mais altos de combustível e outras pressões da inflação ao longo dos últimos anos, a decisão foi diversificar o modal para incorporar o marítimo.


Com isso, a multinacional alemã com fábrica em São José dos Pinhais (PR), alcançou redução de 23% em seu custo de transporte internacional para o Brasil. Segundo a gerente de supply chain, Uréo Pereira, foi necessário um estudo de todos os itens de giro contínuo que poderiam ser trazidos da Europa por via marítima, para que a companhia otimize o estoque.


"Para isso, usamos tecnologia para rastrear nossos estoques e entender exatamente as quantidades de consumo padrão, para programar no longo prazo. Dessa forma, tornou-se possível trazer as peças da matriz necessárias para serem adaptadas no Brasil às necessidades dos clientes locais", destacou.


Para o presidente da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), Luiz Fernando Resano, a melhor forma de economizar está na escolha do modal. Segundo Resano, é inegável a economia que o transporte marítimo oferece em comparação ao rodoviário, ferroviário e aeroviário, visto que os navios possuem alta capacidade de transporte frente a outros modais.


"O [modal] marítimo surge como uma opção na cabotagem, pois o usuário pode escolher o modal de acordo com as suas necessidades e com um bom planejamento logístico, ele se beneficia diretamente pelo menor custo", comentou Resano.


Segundo a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), a média de evolução estimada para o comércio marítimo, em 2023, é de 2,1% e a tendência é que se mantenha até 2027. Para Resano, o setor de máquinas e equipamentos normalmente demanda um transporte com grandes dimensões, principalmente porque trabalha com o recebimento de peças e o envio de produtos para todo o país em rotinas apertadas. Dessa forma, o marítimo se destaca disponibilizando, por exemplo, navio heavy lift ou de cargas especiais.


Para Uréo, do grupo Gemü, o modal marítimo exige um trabalho sincronizado que envolve times internos de fornecedores e de clientes. “Sempre tivemos o estoque otimizado, mas com o recebimento por via marítima, ele precisou ser incrementado considerando o aumento de prazo logístico e muito bem ajustado às demandas de nossos clientes”, explicou.


Com a mudança do modal, a companhia também alcançou 76% de redução no custo de frete internacional de uma das matérias-primas para a válvula diafragma (o item lençol de borracha). “Por se tratar de um material que requer controle de temperatura para não endurecer no transporte, ele era importado via aérea. Com a opção do contêiner refrigerado em navio, pudemos alcançar essa redução, o que nos exigiu apenas a readequação dos níveis de estoque e programação antecipada da logística para garantir a disponibilidade do equipamento”, afirmou a gerente.


Fonte: Portos e Navios



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