31/10/2022

Gargalos de logística global ainda afetam 84% das indústrias importadoras brasileiras

 Gargalos de logística global ainda afetam 84% das indústrias importadoras brasileiras



O custo do frete marítimo recuou em setembro, mas 84% das indústrias brasileiras importadoras relatam ter sido muito ou altamente afetadas pelos gargalos da logística global, enquanto apenas 2% disseram não ter sido nada afetadas. Entre as indústrias exportadoras, 79% relataram ter sido muito ou altamente afetadas, e 8% não foram afetadas. Os dados são da Consulta Empresarial: Logística Internacional, feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), à qual o Estadão teve acesso.


Como esperado, o aumento dos preços do frete marítimo foi o problema mais citado na consulta - foram ouvidos representantes de 465 empresas da indústria de transformação, entre o fim de maio e o início de junho -, mas, conforme a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, as respostas apontam também para impactos em cadeia.


Em setembro, o custo médio do frete marítimo para a importação na rota entre a Ásia e o Brasil, importante para o abastecimento de insumos para a indústria, ficou em US$ 7.000 por contêiner de 40 pés (dimensões aproximadas de 12 metros por 2,5 metros), conforme dados da consultoria Solve Shipping compilados pela CNI. É uma queda de 33,6% ante a média de agosto, mas, ainda assim, 3,4 vezes acima dos valores de janeiro de 2020, antes de a covid-19 se abater sobre a economia global. Já o preço médio do frete de exportação na rota entre o Brasil e a Costa Leste dos Estados Unidos está estável em US$ 10.600 por contêiner de 40 pés desde julho, 8,5 vezes mais do que o valor médio de janeiro de 2020.


A lista de problemas


Segundo o estudo, o principal problema relatado pelas indústrias foi a elevação do preço do frete. Entre as empresas importadoras, 95% citaram o aumento do valor do frete na lista dos principais problemas. Entre as indústrias exportadoras, 92% citaram os preços em alta. A falta de contêineres e de espaço nos navios, uma das causas do aumento dos preços, também figuram entre os problemas mais citados.


Os preços do frete marítimo começaram a disparar no segundo semestre de 2020. Tudo por causa de gargalos logísticos surgidos em meio à retomada desequilibrada da economia global, após ter atingido o fundo do poço, no segundo trimestre daquele ano, com as paralisações por causa da covid-19. O problema contribui para o encarecimento e a escassez de componentes da indústria, como os semicondutores, atrapalhando a produção e encarecendo de geladeiras e fogões a automóveis.


Os gargalos começaram com as restrições ao contato social nas operações de portos e navios. Na retomada, com restrições ainda em vigor, a demanda por bens voltou mais rapidamente do que o esperado - turbinada por políticas de transferência de renda e pelo fato de que, no isolamento, consumidores passaram a gastar mais com produtos do que com serviços. Isso levou a uma corrida pelos serviços de transporte, pressionando a capacidade de portos, armazéns, navios e contêineres. O desequilíbrio entre demanda pelo transporte e oferta de capacidade fez os preços explodir.


As operadoras globais - as quatro maiores companhias, a ítalo-suíça MSC, a dinamarquesa A.P. Møller-Maersk, a francesa CMA CGM e a chinesa Cosco Shipping, respondem por quase 60% do mercado, segundo a Alphaliner, base de dados do setor - encomendaram mais navios. Só que a construção leva anos.


Fonte: PEGN



Notícias Relacionadas

13/01/2026

A DHL Global Forwarding e o grupo CMA CGM firmaram uma parceria para ampliar o uso de biocombustíveis no transporte marítimo de contêineres, como parte das estratégias das duas companhia (...)

Leia mais
 Programa Mulheres na Direção da JSL abre inscrições para formação de motoristas em Indaiatuba (SP)

12/01/2026

Programa Mulheres na Direção da JSL abre inscrições para formação de motoristas em Indaiatuba (SP)

A JSL abriu inscrições para a 17ª edição do Programa Mulheres na Direção, iniciativa voltada à capacitação e inserção de mulheres no setor de transporte rodoviário e logística. Nesta edi (...)

Leia mais
 Porto de Santos recebe novos guindastes elétricos e avança na modernização de terminal

12/01/2026

Porto de Santos recebe novos guindastes elétricos e avança na modernização de terminal

O Tecon Santos recebeu neste sábado (10) dois novos portêineres e oito RTGs elétricos. Os equipamentos foram adquiridos pela Santos Brasil dentro do projeto de ampliação, modernização e (...)

Leia mais

© 2026 ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos. CNPJ 17.298.060/0001-35

Desenvolvido por: KBR TEC

|

Comunicação: Conteúdo Empresarial

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.