14/02/2022

Medidas para conter o preço da gasolina podem ter o efeito contrário, Medidas para conter o preço da gasolina podem ter o efeito contrário,

 Medidas para conter o preço da gasolina podem ter o efeito contrário, Medidas para conter o preço da gasolina podem ter o efeito contrário,


A pouco mais de sete meses das eleições, a escalada do preço do petróleo se tornou problema central para o presidente Jair Bolsonaro. A ameaça de que a commodity faça a inflação disparar, após um 2021 em que os consumidores já viram seu poder de compra diminuir, fez o governo e o Congresso colocarem propostas na mesa consideradas, por grande parte dos analistas, populistas e contraproducentes.

Apesar de contrários às medidas, economistas concordam que o preço do petróleo ameaça a inflação e a atividade em um ano em que a economia enfrenta desafios. Do lado da inflação, a desvalorização do dólar (que começou o ano valendo R$ 5,57 e fechou a semana em R$ 5,24) ameniza a alta do petróleo. Mas a expectativa é de que, com a proximidade das eleições, esse efeito seja anulado - e a inflação suba ainda mais.

“Vemos um cenário de incertezas à frente. O câmbio pode ficar entre R$ 5,50 e R$ 5,60 quando o mercado precificar que o próximo governo vai ter dificuldade fiscal. Aí, com o petróleo tateando os US$ 100, haverá mais um elemento de pressão. Com isso, provavelmente, vamos ver a Petrobras subindo o preço do combustível”, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, destaca que, apesar da alta do petróleo, a inflação não deve repetir em 2022 uma trajetória como a do ano passado, quando alcançou 10%. “Mesmo que o petróleo se aproxime de US$ 100, o impacto será menor se comparado ao da alta do barril de US$ 40 para US$ 80”, diz. A economista, porém, reconhece que, para o consumidor, cujo poder de compra já se deteriorou em 2021, o efeito é considerável.

Produção
Para Rodolfo Margato, economista da XP, a consequência do petróleo nas alturas será mais sentida na atividade econômica. Além de a alta na cotação reduzir o consumo - dado que a população terá uma renda disponível para compras menor -, prejudicará cadeias produtivas. “O custo de produção da indústria, principalmente logístico, vai aumentar. Em muitos casos, não será possível repassar ao consumidor. As empresas reduzirão margens e investimentos”, diz.

Para tentar aliviar a situação, o governo e o Congresso propõem reduzir impostos sobre combustíveis, dar auxílio-diesel a caminhoneiros, subsidiar o transporte público e aumentar o vale-gás para famílias de baixa renda. Dependendo do que for aprovado, o impacto fiscal dessas medidas pode chegar a R$ 100 bilhões, valor superior ao orçamento do Auxílio Brasil, que é de R$ 89 bilhões.

“Vamos abrir mão de uma arrecadação expressiva sem a mínima garantia de que vai ter um efeito para o consumidor, porque o preço é determinado pelo câmbio e pelo petróleo”, diz Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria.

Alessandra destaca que a proposta deteriora a situação fiscal, o que desvaloriza a moeda. Com o real mais fraco, a gasolina fica mais cara na bomba, e a inflação, mais pressionada. Segundo cálculos da economista, a população já tem pago a conta de medidas que enfraquecem as contas públicas. “Se o real estivesse alinhado aos fundamentos, o preço da gasolina em 2021 teria sido, em média, 76 centavos mais barato”, diz.

Solução, fundo tem de ser criado quando o preço está baixo
Para José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, uma forma para driblar a alta do petróleo seria criar um fundo de estabilização. Com um imposto sobre as vendas da commodity, seriam obtidos recursos para usar quando a cotação ultrapassasse determinado patamar. Isso, porém, tem de ser feito quando o preço está baixo, explica.

“O problema é que, aqui, fica tudo para a última hora. Depois que a casa foi arrombada, é difícil fazer seguro. Ninguém se preparou para a situação atual. Se o petróleo chegar a US$ 100, o governo está desarmado, e dar subsídio para quem não precisa é torrar dinheiro público”, diz.



Fonte: Estadão

Notícias Relacionadas
 Multilog anuncia inauguração do Novo Porto Seco de Foz do Iguaçu para dezembro de 2026

16/01/2026

Multilog anuncia inauguração do Novo Porto Seco de Foz do Iguaçu para dezembro de 2026

A Multilog anunciou que o Novo Porto Seco de Foz do Iguaçu será inaugurado em 10 de dezembro de 2026. A previsão foi confirmada durante visita às obras realizada nesta terça-feira (13) p (...)

Leia mais

13/01/2026

A DHL Global Forwarding e o grupo CMA CGM firmaram uma parceria para ampliar o uso de biocombustíveis no transporte marítimo de contêineres, como parte das estratégias das duas companhia (...)

Leia mais
 Programa Mulheres na Direção da JSL abre inscrições para formação de motoristas em Indaiatuba (SP)

12/01/2026

Programa Mulheres na Direção da JSL abre inscrições para formação de motoristas em Indaiatuba (SP)

A JSL abriu inscrições para a 17ª edição do Programa Mulheres na Direção, iniciativa voltada à capacitação e inserção de mulheres no setor de transporte rodoviário e logística. Nesta edi (...)

Leia mais

© 2026 ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos. CNPJ 17.298.060/0001-35

Desenvolvido por: KBR TEC

|

Comunicação: Conteúdo Empresarial

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.